O ESCHWEGE


  O Centro de Geologia Eschwege, localizado na Rua da Glória, Diamantina – MG, ministra desde o início da década de 70 cursos na área de geologia de campo e mapeamento geológico para graduandos e recém-formados. Nos últimos anos a importância do CGE foi sendo diminuída, culminando em 2004 na suspensão de todos os estágios de campo para a maioria das escolas de Geologia do Brasil, restando praticamente só os campos da UFMG. Hoje o CGE, que antigamente era um Instituto, é apenas um departamento dentro do famoso prédio com o passadiço (cartão postal de Diamantina) que foi renomeado como Casa da Glória. Tendo em mente a importância dos cursos ministrados no CGE para o ensino de geologia no Brasil, os estudantes, representados pela ENEGE, não poderiam ficar parados assistindo à sua decadência. No XXVI ENEGEO - 2004, em Boiçucanga – SP, através de assembléia foi decidido que um abaixo-assinado seria enviado ao MEC, pedindo que o órgão assumisse o custeio do CGE. Foi decidido também que o XXVII ENEGEO - 2005 deveria ser realizado próximo ao CGE para que toda a massa estudantil pudesse concentrar esforços a favor da retomada do centro. No presente momento, a UFMG vêm tentando firmar um convênio com a CPRM (Serviço Geológico do Brasil) para a manutenção do CGE.
Segue abaixo o texto do abaixo-assinado que percorreu as escolas de geologia de todo o Brasil, destinado ao MEC:
 
“É inegável a importância do trabalho de campo na formação de um geólogo. Segundo o Simpósio Nacional sobre o Ensino de Geologia no Brasil (Belo Horizonte, 1981), pesquisas voltadas para esse tema revelam que inexiste uma sistemática de trabalhos práticos nas escolas, resultando daí uma oscilação muito grande nas condições de ensino de escola para escola. A participação do Centro de Geologia Eschwege, que deveria ser de caráter complementar, torna-se por demais expressiva, quando se atenta para o fato de que 47% dos trabalhos de mapeamento de campo, realizados por 14 escolas pesquisadas, são feitos em Diamantina/MG. O Centro de Geologia Eschwege (hoje parte do Instituto Casa da Glória) foi fundado através de um Ajuste Complementar (03/10/69) ao acordo Básico de Cooperação Técnica (30/11/63) existente entre as repúblicas do Brasil e Alemanha. De início, o órgão executor por parte do Brasil foi a UFRJ, que em 1970 transferiu a representação jurídica e administrativa à fundação Educacional do vale do Jequitinhonha, vigorando até março de 1978.
A manutenção do Eschwege, de 1970 a 1976, foi de responsabilidade quase total do governo alemão. A partir de 1976, o governo brasileiro, por intermédio do MEC/DAU, assumiu integralmente a sua manutenção, bem como todo o patrimônio financiado, em grande parte, pela contrapartida alemã: equipamentos, viaturas, material permanente de campo, escritório e laboratório.
Em 1978, com o término do programa de Cooperação Brasil-Alemanha, o C.G.E. foi vinculado à UFMG com interveniência da FUNDEP, através dos convênios MEC/DAU/ UFMG/FUNDEP 163 e 163A e com recursos do MEC/DAU. A incorporação do quadro docente à UFMG foi realizada em julho de 1978 e a incorporação definitiva do Eschwege, na qualidade de órgão suplementar do Instituto de Geociências, deu-se em 1980. Na ocasião, a responsabilidade de sua manutenção passou a ser de inteira responsabilidade dessa Universidade.  

No presente momento, os estágios de campo supervisionados realizados no Centro de Geologia Eschwege estão suspensos para a maioria das Universidades brasileiras, por falta de verbas. Através desses estágios, estudantes de todo o Brasil são treinados em técnicas de mapeamento geológico, atividade básica e fundamental para a formação do geólogo.
Buscando superar esse problema de maneira definitiva nós - estudantes,
professores e geólogos - abaixo assinados reivindicamos que o CGE seja assumido pelo MEC, dotando-o de uma cota de verba própria, suficiente para manter seu pleno funcionamento e a totalidade de suas atividades.”